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	<title>Revista Zingu!</title>
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	<description>Cinema Brasileiro</description>
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		<title>A Casa das Tentações</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Mar 2012 15:34:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adilson_marcelino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dossiê]]></category>
		<category><![CDATA[Edição # 53]]></category>

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		<description><![CDATA[Dossiê Astolfo Araújo A Casa das Tentações Direção: Rubem Biáfora Produção: Astolfo Araújo Brasil, 1975. Por Adilson Marcelino Importante e controvertido crítico de cinema, o paulista Rubem Biáfora dirigiu três filmes: Ravina (1959); O Quarto (1968); e esse A Casa das Tentações. Alguns detratores acusam seus filmes de artificiais, mas mesmo eles jamais podem ignorar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Dossiê Astolfo Araújo</strong></p>
<p><a href="http://www.revistazingu.net/wp-content/uploads/2012/03/ACasadas.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4686" title="ACasadas" src="http://www.revistazingu.net/wp-content/uploads/2012/03/ACasadas.jpg" alt="" width="372" height="550" /></a></p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">A Casa das Tentações<br />
</span></strong>Direção: Rubem Biáfora<br />
Produção: Astolfo Araújo<br />
Brasil, 1975.</p>
<p>Por <strong>Adilson Marcelino</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Importante e controvertido crítico de cinema, o paulista Rubem Biáfora dirigiu três filmes: <em>Ravina</em> (1959); <em>O Quarto</em> (1968); e esse <em>A Casa das Tentações</em>. Alguns detratores acusam seus filmes de artificiais, mas mesmo eles jamais podem ignorar a obra-prima que é <em>O Quarto</em>, com a história do personagem de Sérgio Hingst, um funcionário público mergulhado em solidão urbana. Se essa acusação de artificialismo recaiu sobretudo em <em>Ravina</em>, em <em>A Casa das Tentações</em> o cineasta ofereceu mais munição para seus críticos.</p>
<p style="text-align: justify;">Na trama, Flávio Portho é um jovem andarilho com dramas existenciais &#8211; pensa que pode morrer aos 33 como Cristo &#8211; retorna ao casarão da família com a namorada Elizabeth Gasper, e a encontra detonada e decadente. Lá vive Aurea Campos, a bá, preocupada com o destino da construção que pode virar um bordel disfarçado de boate. Portho passa a rememorar o passado vivido na casa, ao mesmo tempo em que assiste impotente tudo ruir à sua volta.</p>
<p style="text-align: justify;">A direção de Biáfora &#8211; que também assina o argumento e o roteiro; a produção é de Astolfo Araújo &#8211; adota uma estética quase teatral, com tomadas sem profundidade e os atores interpretando seus personagens em registro de planitude, ainda que seus dramas possam ser profundos. Efeito que a cenografia de Rocco Biaggi e a fotografia e a câmera de Cláudio Portioli potencializam &#8211; os tons coloridos, como o quarto vermelho, são destaques.</p>
<p style="text-align: justify;">Elizabeth Gasper, eternamente moderna, é presença marcante como a cantora sem direito à ribalta, já que Betina Viany &#8211; outra ótima presença &#8211; é a mulher que lhe retira o lugar real e no imaginário da casa. Mas quem rouba a cena em suas participações é Marilena Ansaldi em belos números de dança, e, sobretudo, Paulo Hesse como um auto-denominado diretor de teatro de vanguarda, que faz de Cavagnole Neto um Netuno hilariantemente ultrajado. Há ainda a presença hipnotizante de Selma Egrei e destaques para Arassary de Oliveira e Pedro Stepanenko, que recebeu o APCA de Melhor Ator Coadjuvante como o escroque Voronoff.</p>
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		<title>Fora das Grades</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Mar 2012 15:32:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adilson_marcelino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dossiê]]></category>
		<category><![CDATA[Edição # 53]]></category>

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		<description><![CDATA[Dossiê Astolfo Araújo Fora das Grades Direção: Astolfo Araújo Brasil, 1971. Por Filipe Chamy O cinema brasileiro, como qualquer arte que visa a expressar um povo, tem em boa parte da sua produção um nicho dedicado aos derrotados. Sejam os excluídos sociais das favelas, sejam os fracassados amorosos das pornochanchadas, temos vasta gama — sobretudo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Dossiê Astolfo Araújo</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.revistazingu.net/wp-content/uploads/2012/03/Foradas.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4695" title="Foradas" src="http://www.revistazingu.net/wp-content/uploads/2012/03/Foradas.jpg" alt="" width="371" height="550" /></a><br />
</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">Fora das Grades<br />
</span></strong>Direção: Astolfo Araújo<br />
Brasil, 1971.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Por <strong>Filipe Chamy</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O cinema brasileiro, como qualquer arte que visa a expressar um povo, tem em boa parte da sua produção um nicho dedicado aos <em>derrotados</em>. Sejam os excluídos sociais das favelas, sejam os fracassados amorosos das pornochanchadas, temos vasta gama — sobretudo, talvez, no chamado “cinema popular” — de fracassados. Gente que deu errado, que não funcionou. Estamos aqui com mais uma figurinha desse álbum: <em>Fora das grades</em> é, como o título indica, uma história <em>de prisão</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade, uma história <em>pós</em>-prisão. O que acontece quando a liberdade é restituída a alguém que por anos ficou encarcerado? A ideia de liberdade é sempre muito discutida por filósofos e pensadores, e aqui temos mais um exemplo do clássico: “a pior prisão é a da nossa cabeça”. No Brasil, após alguns anos todo mundo sai da cadeia. Mas o que isso significa? É possível esquecer ou apagar tudo que se passou entre as quatro grades?</p>
<p style="text-align: justify;">Quase sempre teremos um quadro de fatalismo. No aspecto moral, o crime “viciou” o praticante e já não há mais remédio para ele: roubará, matará e estuprará novamente, pois é um fruto podre; no aspecto narrativo, o caráter <em>noir</em> se insinua por meio de um destino inescapável, a sociedade não dará mais chance ao marginal e ele só se degradará cada vez mais, até o inevitável, doloroso e amargo fim.</p>
<p style="text-align: justify;">Não que <em>Fora das grades</em> não sofra desse “pacote fechado”, essa sina anterior à própria obra. Sofre, sim; mas é nisso que está o mote, acompanharmos a jornada do tal cidadão (saiu da prisão, virou cidadão) e nos indagarmos: “ele terá sucesso? O que ele fará? Voltará ao crime, por certo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Contrariar as expectativas do espectador ou ir ao encontro delas é a tarefa aqui de Astolfo Araújo. É um iter meio maçante, verificar o “acerto” ou o “erro”. No final a coisa vai dar problema, sabemos, afinal o drama pulsa com o sentido de uma maldição, seria hipócrita e deslocado trazer para as personagens uma felicidade forçada, pois não é o próprio filme que se nutre desse sentido de fatalidade?</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda que Astolfo Araújo pinte um pouco cenas de ação, num sentido que imediatamente relacionamos a violência urbana, <em>Fora das grades</em> é mais uma fita psicológica que policial. Por isso um anticlímax no arco final da história, o que não significaria nada caso os olhos do público não estivessem voltados a um falso sentido do superficial que abarcou como sendo a essência do relato. Isso nada diz sobre as intenções ou o resultado da película, mas é uma marca do distanciamento que marca um pouco a recepção aparentemente fria que ela recebeu.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas nisso o filme acaba ganhando força, pois ilustra metaforicamente o grande dilema de seu protagonista (feito por Luigi Picchi, espécie de Warren Oates tupiniquim): escapar das amarras é apenas o primeiro passo. E a aceitação?</p>
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		<title>O Quarto</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Mar 2012 15:31:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adilson_marcelino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dossiê]]></category>
		<category><![CDATA[Edição # 53]]></category>

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		<description><![CDATA[Dossiê Astolfo Araújo O Quarto Direção: Rubem Biáfora Produção: Astolfo Araújo Brasil, 1968 Por Vlademir Lazo Que Rubem Biáfora foi um crítico renomado já é do conhecimento geral, mas poucos sabem que ele também dirigiu ocasionalmente. Do seu currículo como cineasta, o mais famoso filme que realizou foi O Quarto, que até hoje permanece como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Dossiê Astolfo Araújo</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.revistazingu.net/wp-content/uploads/2012/03/OQuarto.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4705" title="OQuarto" src="http://www.revistazingu.net/wp-content/uploads/2012/03/OQuarto.jpg" alt="" width="373" height="550" /></a><br />
</strong></p>
<p><span style="text-decoration: underline;"> </span></p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">O Quarto</span></strong><br />
Direção: Rubem Biáfora<br />
Produção: Astolfo Araújo<br />
Brasil, 1968</p>
<p>Por <strong>Vlademir Lazo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Que Rubem Biáfora foi um crítico renomado já é do conhecimento geral, mas poucos sabem que ele também dirigiu ocasionalmente. Do seu currículo como cineasta, o mais famoso filme que realizou foi <em>O Quarto</em>, que até hoje permanece como uma das mais densas descrições da solidão masculina dentro do cinema brasileiro, e um dos melhores filmes que quase ninguém viu dos anos 60. <em>O Quarto</em> é um filme que bate forte em revisões feitas de tempos em  tempos. Cada revisita a ele é uma oportunidade diferente de experienciar as questões com que seu personagem se confronta, e as quais todos nós cada qual à sua maneira lidamos ao longo dos anos: a passagem do tempo, a sensação dos dias e horas escoando em vão, e também de estar ficando para trás, ultrapassado pelo peso da idade e do vazio se acumulando.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O Quarto</em> gira em torno do isolamento de Lucio (Sergio Hingst), um funcionário público retraído e solteirão, que só sai do quarto em que vive sozinho para ocasionais visitas a uma irmã, e em encontros com prostitutas que encontra na rua, às quais paga a peso de ouro por generosas doses de afeto e alguns momentos de sexo e carinho. E com quem gosta de conversar, dividir a atenção e o interesse pelo que as moças têm a dizer, se frustrando com a inevitável postura profissional delas ou simplesmente quando devem ir embora.</p>
<p style="text-align: justify;">O personagem também costuma passar pela pior espécie de solidão que alguém pode sofrer: a de se sentir sozinho mesmo na companhia de um grupo ou multidão, seja nas ruas ou em bares em meio às rodas de desconhecidos vendo o futebol na TV, ou nas próprias arquibancadas dos estádios. Com a irmã casada tampouco se sente à vontade diante da vida dela no subúrbio, e das pressões para que ele também constitua família, preferindo eventuais idas aos cabaré, o que inclui no filme de Biáfora um longo <em>strip-tease</em> completo, além das sequências de sexo e de nudez, o que ainda não era muito frequente no cinema brasileiro da época.</p>
<p style="text-align: justify;">A câmera de Biáfora radiografa a rotina do personagem dissecando minuciosamente a personalidade de uma existência desbotada, que não sabe como lidar com o mundo impiedoso que o cerca e asfixia. Os planos tratam de isolar Sergio Hingst no quadro, sempre próximo e implacavelmente distante dos demais, quando na companhia de outras pessoas, como nas cenas da repartição em que trabalha. Algumas vezes quando se fala de <em>O Quarto</em>, na dificuldade de se encaixar o filme numa corrente de nosso cinema, muitos apontam uma bem provável influência de Walter Hugo Khouri. Vendo cenas como as do local de trabalho de Lucio, no entanto pode-se perceber certa inspiração em outro diretor predileto de Biáfora, o americano William Wyler. Não é difícil lembrar ali de alguns aspectos de <em>O Colecionador</em> (realizado poucos anos antes), cujo protagonista tampouco se sentia à vontade em seu ambiente de trabalho, como também nutria dificuldades parecidas de estabelecer relacionamentos amorosos ou de simples amizade.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O Quarto</em> é um filme simples mas bem psicologizante, e ganha muito com o talento do grande Sergio Hingst no papel principal. Hingst sabe ser melancólico na medida certa, e divertido quando tem que ser, realçando o comportamento por vezes patético do protagonista. Ao contrário da personagem de <em>O Colecionador</em>, o de Hingst não chega ao ponto da psicopatia, nem de ser submetido a se tornar uma vítima dos demais ou de se sentir como uma. Do começo ao final, <em>O Quarto</em> trabalha como a deixar claro que a responsabilidade pela condição do protagonista não é de outro se não dele próprio. Mesmo os rituais de humilhação, ou a crueldade e o desprezo para com os personagens que não raro aparecem na filmografia de Wyler (e que já lhe renderam críticas até certo ponto injustas), em <em>O  Quarto</em> pouco se manifestam em cena, no que contribui o talento de Hingst em tornar o seu personagem mais humano. Os tais rituais de humilhação são deixados para perto do final, quando o protagonista pensa encontrar sua redenção quando toma por amor uma aventura com uma <em>socialite</em> com quem se deixa envolver emocionalmente. A falta de experiências e relações humanas cobra então o seu preço, quando Lucio embora se sentindo seguro, na verdade mal sabe a maneira apropriada de se comportar diante do circulo de amizades da mulher com quem se relaciona. Ao personagem restará sempre a solidão implacável do quarto que o acolhe do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O Quarto</em> é um filme que poucas vezes recebeu a atenção que merecia. Diante dele não é difícil (nem exagero) considerar a atuação de Sergio Hingst como a melhor de todo o cinema brasileiro. Mesmo um vulto tão distante do cinema paulista como Glauber Rocha, que em seu livro <em>Revisão Critica do Cinema Brasileiro</em> escrevera opiniões negativas impublicáveis e exageradas ao primeiro filme de Biáfora (<em>Ravina</em>, cujo comentário no <em>Revisão</em> se encerrava dizendo que era “um exemplo de como não se deve fazer cinema em qualquer parte do mundo&#8221;), reconheceu as devidas qualidades de <em>O Quarto</em>, enviando uma carta a Biáfora declarando que &#8220;esse filme é um depoimento comovente e humano&#8221;. No passado, Biáfora como crítico foi durante anos especialista em detectar qualidades em obras que os demais demoravam em enxergar, como ocorreu nos anos 40 com os filmes de terror produzidos por Val Lewton e nos musicais de Arthur Freed, ou na década seguinte com Ingmar Bergman. Cabe agora no presente que se redescubra e se dê valor a um grande filme como <em>O Quarto</em>.</p>
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		<title>Profissão: Mulher</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Mar 2012 15:31:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adilson_marcelino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dossiê]]></category>
		<category><![CDATA[Edição # 53]]></category>

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		<description><![CDATA[Dossiê Astolfo Araújo Profissão: Mulher Direção: Cláudio Cunha Roteiro: Márcia Denser, Astolfo Araújo e Claudio Cunha Brasil, 1984. Por Daniel Salomão Roque Algumas pessoas certamente se surpreenderiam ao assistir Profissão: Mulher. O espanto, imagino, estaria de alguma forma relacionado com o descompasso existente entre a perspectiva que a obra adota diante do cotidiano feminino e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Dossiê Astolfo Araújo</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.revistazingu.net/wp-content/uploads/2012/03/Profissao_Mulher.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4709" title="Profissao_Mulher" src="http://www.revistazingu.net/wp-content/uploads/2012/03/Profissao_Mulher.jpg" alt="" width="372" height="550" /></a><br />
</strong></p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;"> </span></strong></p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">Profissão: Mulher</span></strong><br />
Direção: Cláudio Cunha<br />
Roteiro: Márcia Denser, Astolfo Araújo e Claudio Cunha<br />
Brasil, 1984.</p>
<p>Por <strong>Daniel Salomão Roque<br />
</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Algumas pessoas certamente se surpreenderiam ao assistir <em>Profissão: Mulher</em>. O espanto, imagino, estaria de alguma forma relacionado com o descompasso existente entre a perspectiva que a obra adota diante do cotidiano feminino e as ideias pré-concebidas de boa parte do público a respeito do cinema feito no Brasil ao longo das décadas de 70 e 80 – ideias estas pautadas pelo desconhecimento da produção nativa, uma repulsa mal disfarçada por tudo o que seja deliberadamente popular e, sobretudo, por fartas doses de moralismo contra determinada estética e temática que o filme, a julgar pelo título e cartaz, aparenta explorar.</p>
<p style="text-align: justify;">Não que o erotismo esteja ausente em <em>Profissão: Mulher</em>, muito pelo contrário. A nudez é uma constante na fita de Cláudio Cunha, em que as relações e vivências pessoais invariavelmente surgem como consequência da necessidade de possuir e ser possuído. A diferença básica entre esse filme e outros do mesmo período, contudo, encontra-se na maneira como o sexo é enquadrado pelas câmeras, esgueirando-se de sua posição central para concentrar-se nas beiradas do dia a dia, longe das convenções morais e de qualquer outro olhar que não o do espectador.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Profissão: Mulher </em>se baseia no livro <em>O Animal dos Motéis </em>e foi escrito por Astolfo Araújo, em parceria com a autora do texto original, Marcia Denser, e o diretor Cláudio Cunha – que aparece, pensativo, na abertura do filme, numa digressão acerca das mudanças sociais a envolver o sexo feminino nos últimos tempos. Embora a presença física do cineasta morra por ali, sua mão é sentida ao longo de toda a obra, que, partindo da vivência diária de um grupo de funcionárias de uma agência de publicidade no Rio de Janeiro, caminha muito delicadamente na direção da análise de costumes.</p>
<p style="text-align: justify;">Para as mulheres, não muito parecidas entre si, o ambiente de trabalho é o local onde compartilham pequenos fragmentos de sua existência que, apenas nós sabemos, vai muito além das passarelas e escritórios. Para Cláudio Cunha, é uma alternativa humana às famosas cartelas de texto: a rigor, <em>Profissão: Mulher </em>poderia ser dividido em pequenos episódios relativamente autônomos. Natália, diretora de criação que decide tomar todas na confraternização de final de ano do escritório e acaba dormindo com um vendedor impotente que jamais vira na vida, está mergulhada num drama aparentemente isolado das agonias de Sandra Stewart, a modelo homofóbica que se envolve com um jovem motoboy, e esta, por sua vez, não mantém grandes vínculos com Vera, secretária recatada e adepta da masturbação com água fervente. Contudo, isolar suas trajetórias em blocos fechados esterilizaria a narrativa no que ela tem de mais interessante: a tentativa de emular o fluxo da vida real para rompê-lo abertamente no final da projeção.</p>
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		<title>A Morte Comanda o Cangaço</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Mar 2012 15:30:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adilson_marcelino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Edição # 53]]></category>
		<category><![CDATA[Especial]]></category>

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		<description><![CDATA[Especial Carlos Coimbra A Morte Comanda o Cangaço Direção: Carlos Coimbra Brasil, 1961. Por Daniel Salomão Roque O ambiente determina o homem, aparenta dizer Carlos Coimbra em A Morte Comanda o Cangaço. Ao longo do filme, uma considerável galeria de personagens – cangaceiros, agricultores, coronéis, mulheres ambíguas – se deixam enquadrar pela câmera, mas nenhum [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Especial Carlos Coimbra</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.revistazingu.net/wp-content/uploads/2012/03/AMorte_Comanda.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4713" title="AMorte_Comanda" src="http://www.revistazingu.net/wp-content/uploads/2012/03/AMorte_Comanda.jpg" alt="" width="373" height="550" /></a><br />
</strong></p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;"> </span></strong></p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">A Morte Comanda o Cangaço</span></strong><br />
Direção: Carlos Coimbra<br />
Brasil, 1961.</p>
<p>Por <strong>Daniel Salomão Roque</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O ambiente determina o homem, aparenta dizer Carlos Coimbra em <em>A Morte Comanda o Cangaço. </em>Ao longo do filme, uma considerável galeria de personagens – cangaceiros, agricultores, coronéis, mulheres ambíguas – se deixam enquadrar pela câmera, mas nenhum deles parece adquirir o mesmo peso que a obra confere à geografia nordestina. A urgência, clareza e sinceridade com que o filme sustenta este ponto de vista são tantas que, antes mesmo dos créditos iniciais, um prólogo se incumbe da tarefa de contextualizar os eventos subsequentes no ano de 1929, quando <em>cercas mortíferas</em> impunham <em>uma luta desigual do homem contra natureza:</em> “os desmandos do coronelismo, o banditismo assalariado, a imposição da vontade de poderosos chefes políticos pelo terror criaram um clima de insegurança”, proclama a narração em <em>off</em> por cima de longos, belos e ameaçadores planos gerais do sertão.</p>
<p style="text-align: justify;">Tanto o ambiente quanto os homens por ele determinados são caracterizados, ao longo do filme, por meio de uma estrutura dramática tipicamente clássica. A narrativa é límpida, cristalina, as motivações alheias são imutáveis e evidentes desde o início, ao passo em que certos problemas, como o cangaço e o coronelismo, são reduzidos a questões pessoais ou conflitos do bem contra o mal. Trata-se de um viés certamente questionável, mas o fato é que Coimbra mergulha de corpo e alma nessa perspectiva e explora seus recursos com espantosa eficiência.</p>
<p style="text-align: justify;">Não coincidentemente, os astros de <em>A Morte Comanda o Cangaço </em>são os mesmos de <em>O Cangaceiro</em>, que oito anos antes já apontava as possibilidades oferecidas pelo banditismo social enquanto fonte de ação e aventura cinematográfica. Milton Ribeiro é o Capitão Silvério, fora-da-lei movido por instintos cruéis e braço direito do corrupto Coronel Nesinho; Alberto Ruschel é Raimundo Vieira, pequeno fazendeiro que, ousando questionar a ordem vigente, tem a casa destruída, a mãe brutalmente executada e se torna, ele mesmo, alvo de uma tentativa de assassinato, que seus algozes erroneamente julgam bem sucedida. Enraivecido, Raimundo Vieira forma seu próprio bando e decide extinguir o cangaço por conta própria.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A Morte Comanda o Cangaço </em>é, pois, uma crônica de vingança, filhote nativo de John Ford e Howard Hawks, espécie de faroeste tipicamente hollywoodiano onde os <em>cowboys </em>são substituídos por peões e os assaltantes de bancos, por cangaceiros. Trata-se também de cinema essencialmente físico, voltado para a beleza plástica dos corpos em movimento e da agonia a acometê-los quando perfurados por balas e fações ou violentados pelo clima árido do sertão – uma agonia que, desconhecendo exceções, torna-se ainda mais pulsante quando filtrada por engenhosos <em>travellings </em>e pelo <em>Eastmancolor</em> que não nos poupa do azul escaldante emanado pelo céu nordestino, tampouco do vermelho a escorrer da cabeça decapitada de uma idosa.</p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>Corisco, o Diabo Loiro</title>
		<link>http://www.revistazingu.net/2012/03/corisco-o-diabo-loiro</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Mar 2012 15:30:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adilson_marcelino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Edição # 53]]></category>
		<category><![CDATA[Especial]]></category>

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		<description><![CDATA[Especial Carlos Coimbra Corisco, o Diabo Loiro Direção: Carlos Coimbra Brasil, 1969. Por Edu Jancz A primeira seqüência de Corisco, o Diabo Loiro deixa todas as pistas, o DNA, do filme que vamos assistir. Ela também, numa espiral da trama, é a sequência final do filme.  Num circuito contínuo que envolve cangaceiros, soldados (a volante), [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Especial Carlos Coimbra</strong></p>
<p><a href="http://www.revistazingu.net/wp-content/uploads/2012/03/Corisco_ODiabo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4717" title="Corisco_ODiabo" src="http://www.revistazingu.net/wp-content/uploads/2012/03/Corisco_ODiabo.jpg" alt="" width="367" height="550" /></a></p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">Corisco, o Diabo Loiro<br />
</span></strong>Direção: Carlos Coimbra<br />
Brasil, 1969.</p>
<p>Por<strong> Edu Jancz</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A primeira seqüência de <em>Corisco, o Diabo Loiro</em> deixa todas as pistas, o DNA, do filme que vamos assistir. Ela também, numa espiral da trama, é a sequência final do filme.  Num circuito contínuo que envolve cangaceiros, soldados (a volante), a população &#8211; em sua maioria pobre -, que tenta sobreviver como pessoas de bem, mas o destino&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Corisco e seu bando, cavalgando velozmente, chegam numa casa carregando cabeças cortadas de várias pessoas, entre elas Domingos (Jofre Soares), que “dedurou” o esconderijo de Lampião para os “macacos”, sinônimo popular para soldados, volante.  Lampião, Maria Bonita e seu bando foram aniquilados. Corisco assumiu a vingança.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem Lampião, sua liderança e a força do cangaço – como forma opcional de vida -, Corisco e sua companheira Dada´ resolvem mudar de cidade e seguir novos rumos. São emboscados por “macacos”, feridos e presos pelo tenente Rufino (Turíbio Ruiz), implacável caçador e justiceiro.</p>
<p style="text-align: justify;">No caminho da prisão, Corisco e Dadá recordam, em <em>flashback </em>como tudo começou.</p>
<p style="text-align: justify;">Vítima de dupla injustiça, inclusive familiares torturados e mortos violentamente pelos soldados, Corisco não tem outra opção a não ser viver como cangaceiro. Rapidamente, o agora capitão Corisco e seu pequeno bando ganham notoriedade e respeito.</p>
<p style="text-align: justify;">Corisco conhece Dadá ainda garota. Junta-se com o bando de Lampião (Milton Ribeiro), numa festa popular.  Lampião fica fascinado por Maria Bonita (Maracy Mello).  Ela confessa que esperava esse encontro há muito tempo. A partir desse momento, o bando de Lampião permite que seus homens possam levar as companheiras em sua jornada de resistência.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Corisco, o Diabo Loiro</em> mostra os confrontos, parcerias e traições entre cangaceiros, coronéis e a população.  O filme não toma nenhum partido. Mostra a violência de vinganças x traições e o dia a dia da comunidade de “cangaceiros liderados por Lampião”.</p>
<p style="text-align: justify;">A direção de Carlos Coimbra é ponto alto e fundamental de <em>Corisco, o Diabo Loiro</em>. A noção de ritmo do diretor é perfeita. Se visto hoje, em tela grande, o filme seria visto como atual – basicamente no quesito linguagem, fluência e tempo de narrativa. O roteiro administrado por Coimbra cria um filme “sempre vivo”. Nada de planos “mortos”, ou câmera fixa como se o espetáculo fosse visto num teatro com palco italiano.</p>
<p style="text-align: justify;">Carlos Coimbra tem a noção de movimento e encenação que resulta em cinema de identidade universal.  Os brasilianistas e cinemanovistas vão reclamar. Não estou nem aí. O cinema de Coimbra é cinema por excelência. E Pronto.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Corisco, o Diabo Loiro</em> resulta num filme ágil e moderno, visto somar a roteirização e direção de Carlos Coimbra, mais a forma de interpretação dos atores que deram vida a cangaceiros, volante e povo.</p>
<p style="text-align: justify;">Um elenco superafinado (e bem dirigido) é parte fundamental desse resultado.</p>
<p style="text-align: justify;">Corisco, interpretado por um Maurício do Valle, se superando sempre. Ele tem nas mãos um personagem complexo: é povo, é vingador, é marido apaixonado. Teve que trabalhar e variar gestos, olhares e gestão corporal para cumprir a sua missão.</p>
<p style="text-align: justify;">Dadá é a jovem Leila Diniz no auge de sua beleza. À medida que “incorpora” o seu caso com Corisco, Dadá tem que crescer como mulher e cangaceira. O que ela faz com muita sutileza.</p>
<p style="text-align: justify;">Lampião é interpretado pelo veterano Milton Ribeiro.  “Sua atuação cria um “líder” que varia entre o “saber arbitrar”, o “ser duro e viril”, e o ser “romântico e carinhoso” com a sua Maria Bonita.</p>
<p style="text-align: justify;">O veterano Turíbio Ruiz interpreta um tenente “cangaceirofóbico”, que jura ser ele o primeiro a mandar Corisco e seu bando para a cadeia. Sua interpretação soturna e de pouco falar tem um resultado “forte e intimador”.</p>
<p style="text-align: justify;">Por último, cito a bela Maracy Mello. Ela interpreta Maria Bonita. Em 1969 é jovem, linda e atriz de muita personalidade. A altura de um líder como Lampião.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pessoal</strong>. Conheci Maracy Mello e seu companheiro Denoy de Oliveira no final do século XX, mais precisamente em 1998. Os dois ministravam um curso do cinema no Instituto Emílio Fontana. Eu me inscrevi. Fiz o curso. Tanto azucrinei que os dois tornaram-se meus amigos.  Maracy ainda era linda! Companheira exemplar de Denoy “<em>O</em> <em>Baiano Fantasma</em>” de Oliveira.</p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Independência ou Morte</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Mar 2012 15:30:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adilson_marcelino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Edição # 53]]></category>
		<category><![CDATA[Especial]]></category>

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		<description><![CDATA[Especial Carlos Coimbra Independência ou Morte Direção: Carlos Coimbra Brasil, 1972. Por Adilson Marcelino Independência ou Morte, filme que Carlos Coimbra dirigiu, roteirizou e montou, foi produzido por Oswaldo Massaini em 1972, ano do sesquicentenário da independência.   Acusado de retrato oficial da versão histórica a serviço da ditadura militar, essa pecha apressada e injusta acabou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Especial Carlos Coimbra</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.revistazingu.net/wp-content/uploads/2012/03/Independencia_OuMorte.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4721" title="Independencia_OuMorte" src="http://www.revistazingu.net/wp-content/uploads/2012/03/Independencia_OuMorte.jpg" alt="" width="371" height="550" /></a><br />
</strong></p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">Independência ou Morte<br />
</span></strong>Direção: Carlos Coimbra<br />
Brasil, 1972.</p>
<p>Por <strong>Adilson Marcelino</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Independência ou Morte</em>, filme que Carlos Coimbra dirigiu, roteirizou e montou, foi produzido por Oswaldo Massaini em 1972, ano do sesquicentenário da independência.   Acusado de retrato oficial da versão histórica a serviço da ditadura militar, essa pecha apressada e injusta acabou por encobrir os vários méritos do filme.</p>
<p style="text-align: justify;">É importante ressaltar o belo trabalho de ator de Tarcísio Meira, que imprime um ar inconsequente e de Don Juan em seu imperador e que nos conquista de imediato. Mas o ápice se dá mesmo quando entra em cena Domitila de Castro Canto e Melo, a Marquesa de Santos. É ao focalizar esses acontecimentos de alcova que o filme cresce e não pelo mote que dá título ao filme, ainda que saibamos que um fato está intimamente associado ao outro.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda que em registros distintos, esse foco em <em>Independência ou Morte</em> aponta para o patamar de outro casal torto e conturbado da história, aquele formado pelo Contratador João Fernandes e Xica da Silva, ainda que no filme de Cacá Diegues a lente seja a da carnavalização e os personagens sejam de outra ordem e esfera.</p>
<p style="text-align: justify;">Glória Menezes, desde há muito a senhora Meira, está muito bem na personagem Domitila, mas esse salto não é só por isso, já que o filme tem também outro grande trabalho de atriz, o de Kate Hansen como a Imperatriz Leopoldina.</p>
<p style="text-align: justify;">O grande mérito é porque o aparecimento de Domitila é quando Dom Pedro I chuta o balde de vez, e o que poderia ser apenas um retrato oficial, como tantos injustamente o acusam, dá novo tom para o filme, que fica muitos decibéis acima quando traz essa história de paixão para a boca de cena. E, consequentemente, é também quando a Marquesa de Santos desaparece, em belíssima cena de despedida cruel já nos estertores, que o filme retrocede para o clima do início e muito de seu interesse se dissipa.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Iracema, a Virgem dos Lábios de Mel</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Mar 2012 15:29:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adilson_marcelino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Edição # 53]]></category>
		<category><![CDATA[Especial]]></category>

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		<description><![CDATA[Especial Carlos Coimbra Iracema, a virgem dos lábios de mel Direção: Carlos Coimbra Brasil, 1979. Por Filipe Chamy A justificativa mais óbvia para esta adaptação do clássico romance Iracema é mostrar a nudez de Helena Ramos (que faz a personagem-título) e das outras atrizes “indigenizadas”. Há uma passagem em que isso se faz mais que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Especial Carlos Coimbra</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><a href="http://www.revistazingu.net/wp-content/uploads/2012/03/Iracema.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4725" title="Iracema" src="http://www.revistazingu.net/wp-content/uploads/2012/03/Iracema.jpg" alt="" width="351" height="550" /></a></p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">Iracema, a virgem dos lábios de mel<br />
</span></strong>Direção: Carlos Coimbra<br />
Brasil, 1979.</p>
<p>Por<strong> Filipe Chamy</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">A justificativa mais óbvia para esta adaptação do clássico romance <em>Iracema</em> é mostrar a nudez de Helena Ramos (que faz a personagem-título) e das outras atrizes “indigenizadas”. Há uma passagem em que isso se faz mais que evidente: um branco cativo numa oca é guardado “pelas mais belas mulheres da tribo”, e evidentemente lançar-se-á mão do recurso da câmera subjetiva para fazer o olhar do europeu, como mãos desesperadas, percorrer os corpos de suas vigias.</p>
<p style="text-align: justify;">É claro que ninguém reclamará da “exatidão histórica” que apresenta os índios em sua quase total nudez corporal, pois todos sabemos que as roupas que enfiam em Pocahontas, nos filmes americanos, são puras concessões a uma questionável moral e um mais questionável ainda pudor dos espectadores em potencial. Mas isso não faz deste <em>Iracema</em> uma peça de correção étnica: simplesmente é o “unir o útil ao agradável” que facilitou a aquisição de uma exuberância e um sensualismo pretendidos e, assim, comodamente praticados.</p>
<p style="text-align: justify;">Toda a estrutura do filme repousa nesse fascínio pelo corpo feminino, observado com adoração e volúpia, e se os cabelos negros como a asa da graúna comparecem mais na narração inicial que nas imagens que se seguem pela projeção da fita, Iracema possui outros encantos que podem agradar não só a Martim (Tony Correia), mas ao público festejador das pornochanchadas que lotava os cinemas na época: nossa brava índia é um misto de furacão selvagem de formas estonteantes com a cândida inocência cínica da mulher que não sabe o quanto enlouquece os homens. É, portanto, um mito (literário e “de formação” da nossa identidade) que Carlos Coimbra aproxima de nossa realidade, traz a nós como um drama do nosso dia a dia, sem a roupa (literalmente, inclusive) do exotismo, do relato histórico, da lenda anacrônica.</p>
<p style="text-align: justify;">Então apesar de a narrativa ser um pouco convencionada nesse desejo de servir a uma contemporaneidade meio forçada, fica patente o esmero com que Coimbra dirige a encenação épica, e aí já não faz tanta diferença se a <em>virgem dos lábios de mel</em> é Helena Ramos ou uma nativa mais assemelhada ao que José de Alencar descreveu. Porque o capital aqui é fazer valer uma estética que não se esgota na imitação, no mimetismo, mas que tenta alcançar sua expressão com esse deslocamento mesmo, essa índia que não é índia, esse Brasil colonial que parece com qualquer zona de interior ou litoral moderna, esse herói dividido entre a ternura e a carnalidade — mais uma aproximação da pornochanchada.</p>
<p style="text-align: justify;">Daí constatarmos que o <em>Iracema</em> de Carlos Coimbra não é sobre o que fomos ou como nos formamos, mas como somos e como ainda nos vemos. Os grandes dramas são eternos, e não deixa de ser um mérito do filme essa visão de que tanto faz a época dos conflitos ou acontecimentos, o tempo das histórias é indefinido e irrelevante.</p>
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		<title>Lampião, o Rei do Cangaço</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Mar 2012 15:29:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adilson_marcelino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Edição # 53]]></category>
		<category><![CDATA[Especial]]></category>

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		<description><![CDATA[Especial Carlos Coimbra Lampião, O Rei do Cangaço Direção: Carlos Coimbra Brasil, 1964. Por Aílton Monteiro Carlos Coimbra dirigiu em 1964 um filme até que bem ambicioso. Lampião, o Rei do Cangaço tem a pretensão de contar a história de uma das figuras mais famosas do sertão nordestino, da infância a sua morte. O fato [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Especial Carlos Coimbra</strong></p>
<p><a href="http://www.revistazingu.net/wp-content/uploads/2012/03/Lampiao_ORei.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4729" title="Lampiao_ORei" src="http://www.revistazingu.net/wp-content/uploads/2012/03/Lampiao_ORei.jpg" alt="" width="371" height="550" /></a></p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">Lampião, O Rei do Cangaço<br />
</span></strong>Direção: Carlos Coimbra<br />
Brasil, 1964.</p>
<p>Por <strong>Aílton Monteiro</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Carlos Coimbra dirigiu em 1964 um filme até que bem ambicioso. <em>Lampião, o Rei do Cangaço</em> tem a pretensão de contar a história de uma das figuras mais famosas do sertão nordestino, da infância a sua morte. O fato de Coimbra começar o filme com um cantador numa banquinha de literatura de cordel é bastante representativo da força do mito. A ambição está também na tentativa de criar um filme épico, semelhante aos <em>westerns</em> americanos, com a utilização, muitas vezes, do céu vermelho ao fundo na fotografia estilizada com o uso de cores semelhantes a dos primeiros filmes americanos produzidos em<em> technicolor</em>. Infelizmente essas cores se esmaecem nas cópias atualmente disponíveis.</p>
<p style="text-align: justify;">De qualquer maneira, mesmo restaurado, <em>Lampião, o Rei do Cangaço</em> é um filme que não envelheceu bem. Entre um dos problemas, há o salto temporal, abrupto e sem sutileza, da juventude do jovem Virgulino Ferreira para a fase adulta, já dominando o maior bando de cangaceiros do Nordeste e sendo o alvo número um dos “macacos”, a polícia corrupta do sertão. O salto temporal serve como pretexto para introduzir mais rapidamente a entrada em cena de Leonardo Villar no papel do Lampião adulto.</p>
<p style="text-align: justify;">Aliás, vale notar que Villar passa uma nobreza de caráter e uma bondade ao papel que chega às vezes a atrapalhar. Talvez o ator tenha ficado estigmatizado pelo papel de Zé do Burro em <em>O Pagador de Promessas</em>. Outro intérprete talvez emprestasse melhor o aspecto sombrio necessário para compor esse personagem tão rico. O ponto positivo da presença de Villar como o “rei do cangaço” surge no momento em que ele conhece Maria Bonita, mostrando-se bem galanteador.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Lampião, o Rei do Cangaço</em> faz parte do ciclo de filmes de cangaceiros dirigidos por Carlos Coimbra, que inclui também <em>A Morte Comanda o Cangaço</em> (1961), <em>Cangaceiros de Lampião</em> (1967) e <em>Corisco, o Diabo Loiro</em> (1969).</p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>O Homem de Papel</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Mar 2012 15:29:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adilson_marcelino</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Especial]]></category>

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		<description><![CDATA[Especial Carlos Coimbra O Homem de Papel Direção: Carlos Coimbra Brasil, 1976. Por Sérgio Andrade Carlos (Milton Moraes) é repórter policial do jornal &#8220;A Tribuna&#8221;. Descontente com os rumos profissionais, vê oportunidade de ficar famoso ao denunciar uma quadrilha que contrabandeia armas. Mas sua fonte desaparece misteriosamente e ele cai em descrédito. Decidido a descobrir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Especial Carlos Coimbra</strong></p>
<p><a href="http://www.revistazingu.net/wp-content/uploads/2012/03/OHomem_dePapel.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4733" title="OHomem_dePapel" src="http://www.revistazingu.net/wp-content/uploads/2012/03/OHomem_dePapel.jpg" alt="" width="373" height="550" /></a></p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">O Homem de Papel<br />
</span></strong>Direção: Carlos Coimbra<br />
Brasil, 1976.</p>
<p>Por <strong>Sérgio Andrade</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Carlos (Milton Moraes) é repórter policial do jornal &#8220;A Tribuna&#8221;. Descontente com os rumos profissionais, vê oportunidade de ficar famoso ao denunciar uma quadrilha que contrabandeia armas. Mas sua fonte desaparece misteriosamente e ele cai em descrédito. Decidido a descobrir a verdade, sai investigando pela cidade e passa a ser perseguido pelos membros da quadrilha.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao tratar de matérias sensacionalistas, jornalismo marrom, o filme evoca o ácido <em>A Montanha dos Sete Abutres</em>, de Billy Wilder. Carlos lembra Chuck Tatum, o personagem de Kirk Douglas naquele clássico.</p>
<p style="text-align: justify;">Já sua trama policial remete ao <em>film noir</em>, só que um <em>noir</em> passado num cenário insólito, a ensolarada Fortaleza. Não falta nem mesmo uma <em>femme fatale</em>, de comportamento dúbio, no caminho de nosso anti-herói, a loiraça Renata (Vera Gimenez).</p>
<p style="text-align: justify;">Com direção do sempre competente artesão Carlos Coimbra, encenando boas perseguições e cenas de suspense, o filme tem no elenco seu ponto forte.</p>
<p style="text-align: justify;">Milton Moraes compreendeu muito bem seu Carlos, um personagem ao mesmo tempo ingênuo e cafajeste, disposto a tudo por uma boa reportagem. Vera só precisa ser sedutora e Jece Valadão, seu marido na época, que devia estar lhe acompanhando nas filmagens, acabou sendo convidado para uma participação especial como ele mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">José Lewgoy é o irascível chefe da redação, Terezinha Sodré a noiva de Carlos que ao tentar ajudá-lo acaba sempre o colocando em situação difícil e Ziembinski é o afetado chefe da quadrilha que num rompante de raiva esmaga um passarinho na mão.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem ser um grande filme, talvez nem mesmo um bom filme, <em>O Homem de Papel</em> consegue entreter o espectador pela beleza da paisagem, a competência do elenco e a boa direção de Coimbra.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
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